Prometheus

stars5Prometheus (2012). Escrito por Jon Spaihts e Damon Lindelof. Dirigido por Ridley Scott. Com Noomi Rapace, Michael Fassbender, Logan Marshall-Green, Charlize Theron, Idris Elba e Guy Pearce.

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Em um planeta não identificado, um ser alto e musculoso para à beira de uma cachoeira e toma uma substância preta. Seu corpo é imediatamente tomado por espasmos e, em seguida, seu DNA começa a desmanchar, misturando-se á água corrente – suas células, então, passam a se multiplicar e a se recombinar, dando origem à vida.

É com essa belíssima e ambiciosa cena que Ridley Scott começa Prometheus, que marca seu retorno ao gênero que ajudou a definir com suas obras-primas Alien (1979) e Blade Runner (1982).

Milhões de anos depois, conhecemos o casal de arqueólogos Elizabeth Shaw (Rapace) e Charlie Holloway (Marshall-Green), que encontraram diversas pinturas rupestres que seriam um mapa (ou “um convite”) para encontrarmos nossos criadores, que eles chama de Engenheiros. Eles e uma equipe partem, então – em uma missão patrocinada pela corporação Weyland – na nave Prometheus, rumo à lua LV-223. A nave alcança seu destino no Natal de 2093.

Batizada em homenagem ao titã Prometeu – que, na mitologia, deu origem aos homens e, após dar a eles o poder do fogo que havia roubado de Zeus, foi castigado -, a nave é pilotada pelo carismático capitão Janek (Elba) e supervisionada pelo andróide David (Fassbender), enquanto a equipe é comandada pela severa Meredith Vickers (Theron). A equipe toda, com auxílio do bom elenco, é formada por personagens interessantes, mas, sabe como é – o desapego é recomendado.

Mas quem se destaca são David e Shaw e seus intérpretes, os excelentes Michael Fassbender e Noomi Rapace. Ele já provou ser um dos melhores atores da atualidade; ela conquistou Hollywood com sua Lisbeth Salander nos filmes suecos da trilogia Millenium.

Lembrado constantemente pelos humanos de que é “apenas um robô”, David protagoniza vários dos melhores momentos do filme, como a conversa com Holloway e sua interação com uma espécie de mapa tridimensional em uma sala de controle. Com seus movimentos e tom de voz calculistas, o andróide parece ver os humanos com uma mistura de cinismo e admiração. Além disso, os verdadeiros sentimentos e motivações de David – se é que ele os possui – nunca ficam claros, tornando-o uma figura misteriosa e até ameaçadora.

Já Elizabeth Shaw é o contraponto perfeito a ele – muito bem construída, ela faz justiça à protagonista anterior (ou posterior?) da série, Ellen Ripley, que provou que mulheres também são grandes heroínas da ficção científica. Mesmo se recusando a deixar sua fé de lado diante de suas descobertas (o que, afinal, não é costume dos religiosos), Shaw é curiosa e valente, e sua cena envolvendo uma cirurgia é excelente não apenas pela tensão envolvida, mas também porque deixa a personagem como agente ativa da situação.

Há falhas – a subtrama envolvendo Weyland e Vickers é descartável -, mas este é um grande filme. Lentamente expandindo o universo em que se insere, o da série Alien, Prometheus jamais deixa de prender a atenção do espectador, e a tensão é constante mesmo antes de as cenas de ação começarem. Mais próximo do filme de 1979 do que de suas sequências, esta nova adição levanta questionamentos e faz pensar, deixando diversas aberturas – e teorias – para a sequência. E essas questões vão muito além de “De onde viemos?”. É  como diz o ditado: às vezes, a pergunta vale mais do que a resposta – e, na ficção científica, entregar tudo não tem graça nenhuma.

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