O Espetacular Homem-Aranha

stars4The Amazing Spider-Man (2012). Escrito por James Vanderbilt, Alvin Sargent e Steve Kloves. Dirigido por Marc Webb. Com Andrew Garfield, Emma Stone, Rhys Ifans, Denis Leary, Martin Sheen e Sally Field.

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Depois que Homem-Aranha 3 acabou com as possibilidades de a Sony continuar com a série nos cinemas, o estúdio, para manter a posse da franquia (seu contrato com a Marvel prevê um filme a cada, no máximo, seis anos), resolveu começar tudo de novo. O Espetacular Homem-Aranha não chega a mudar as coisas como a trilogia de Christopher Nolan fez com Batman, mas triunfa com seu retrato fiel de seu protagonista – o que, apesar de todas as qualidades dos dois primeiros filmes da trilogia de Sam Raimi e das habilidades de Tobey Maguire, a série anterior não havia conseguido.

Peter Parker, jovem tímido e brilhante, criado pelos tios após a morte dos pais, é picado por uma aranha radioativa que lhe dá poderes como a habilidade de  escalar paredes, reflexo aguçado e força. É, já vimos isso nas telonas há dez anos, mas a premissa continua fascinante, e as cenas de Peter descobrindo e brincando com suas novas habilidades estão entre as melhores do longa. O lançador de teias, tanto aqui como nos quadrinhos, é um instrumento que utiliza uma substância criada pelo próprio Peter em seu quarto – uma solução bem mais elegante (além de mostrar a inteligência do personagem) do que as teias produzidas pelo corpo do herói na trilogia de Raimi.

O Peter Parker de Andrew Garfield (um dos melhores jovens atores do momento) ainda é tímido e desajeitado, mas não se encaixa mais por falta de interesse do que por falta de tentativa. Com um humor seco e irônico, ele nem sempre é agradável, mas tem um bom coração e aprende que “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Se o Parker dos anos 2000 era um nerd,  o do século XXI é um geek, em uma atualização necessária para que o personagem, que desde sua estreia nos quadrinhos na década de 60 faz com que jovens no mundo todo se identifiquem com ele, mantenha esse papel. Afinal, a figura do garoto de óculos, que tropeça pelos cantos e é empurrado nos corredores, já foi vista incontáveis vezes desde Homem-Aranha, e Peter Parker não poderia ser rebaixado a mais um em meio a tantos outros.

Os pais de Peter, que morreram quando ele era criança – não antes de deixá-lo na casa de seus tios, Ben (Sheen) e Mary (Field), e desaparecerem -, especialmente o pai, Richard Parker (Campbell Scott), ganham muito mais importância do que nos filmes anteriores. Até mesmo do que nos quadrinhos, onde o arco nunca recebeu muita atenção. É analisando papéis antigos do pai que Peter descobre o Dr. Curt Connors (Ifans), que trabalhou com Richard na Osborn em uma pesquisa para desenvolver uma fórmula que, combinando o DNA de diferentes espécies, curaria doenças e deficiências humanas – e Connors, que perdeu o braço direito, se dedica principalmente a reproduzir a capacidade regenerativa dos répteis.

O que move a trama – e o que foi anunciado durante a divulgação do filme como “a história nunca contada” -, porém, serve apenas como justificativa para a relação entre o Homem-Aranha e seu inimigo Lagarto – e também, convenhamos, para distanciar este dos filmes anteriores. Além de tirar o peso do relacionamento de Peter com seus tios, que são suas reais figuras paterna e materna, a busca pelos “segredos” de Richard Parker nunca ganha a importância que o roteiro sugere que ela tenha.

O elenco secundário também merece destaque. Emma Stone parece saída diretamente dos quadrinhos clássicos do Aranha, e sua Gwen Stacy é charmosa e esperta – apesar de nunca mostrar a genialidade que lhe garantiu a posição de estagiária-chefe de uma grande empresa como a Oscorp. Sua relação com o pai,  o Capitão George Stacy (Leary) também poderia ser melhor desenvolvida, já que quase toda a sua dimensão vem do talento de Stone e Leary. Este torna o policial um homem forte, competente e, mesmo duro, preocupado com a família. O romance de Gwen e Peter, por outro lado, traz o que amores adolescentes tem de melhor (em se tratamento de adultos interpretando atores, Garfield e Stone se saem muito bem), e é doce e desajeitado na medida certa.Já Rhys Ifans está ótimo como o cientista que busca avanços motivado não apenas pela melhora que sua descoberta trará à população, mas também por um forte interesse pessoal; mas, mesmo com a competência do ator de expressar o estado de suas emoções após se tornar o Lagarto, a transformação de Connors de cientista obstinado a cientista louco é muito abrupta.

Com um 3D divertido mas decepcionantemente descartável, O Espetacular Homem-Aranha é excelente nas sequências do herói se deslocando por Nova York com suas teias, e a decisão de utilizar o próprio Garfield e uma equipe de dublês para realizar os movimentos, e não efeitos de computador, foi extremamente bem sucedida. O Aranha se desloca e se balança nem sempre com perfeição e isso, ao lado do modo aracnídeo como se move, alcança um interessante efeito realista.

Desnecessário? Cedo demais? Pode até ser, mas é ótimo continuar a acompanhar o Homem-Aranha na telona. O Homem-Aranha de Sam Raimi estabeleceu os filmes baseados em quadrinhos como bons investimentos e entretenimento de alta qualidade. O Espetacular Homem-Aranha faz jus a seu antecessor e, se as sequências deste filme continuarem com a boa caracterização e o elenco talentoso, mas com roteiros mais bem trabalhados, a nova trilogia pode se estabelecer como a incursão definitiva do Aranha no cinema.

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