360

stars2360 (2011). Escrito por Peter Morgan. Dirigido por Fernando Meirelles. Com Anthony Hopkins, Maria Flor, Ben Foster, Rachel Weisz, Jude Law, Vladimir Vdovichenkov, Lucia Siposová e Gabriela Marcinkova.

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Em Babel, Fernando Meirelles mostrou como um único acontecimento pode afetar várias pessoas. Já este 360, com roteiro de Peter Morgan, baseado na peça Reigen, de Arthur Schnitzler, se sustenta na ideia de que a vida é feita de “bifurcações na estrada” que decidimos ou não tomar, e que nossas possibilidades dependem das escolhas que outras pessoas fizeram antes de nós.

Assim, na Áustria, conhecemos a prostituta eslovaca Mirka (Siposová) e sua irmã Anna (Marcinkova); o casal britânico enfrentando problemas Michael (Law) e Rose (Weisz); Rui (Juliano Cazarré) e Laura (Maria Flor), casal brasileiro que veio para Londres em busca de melhores oportunidades; John (Hopkins), que se agarra às últimas esperanças de encontrar a filha que fugiu de casa e desapareceu; Tyler, um estuprador recém saído da prisão (Foster); um chefão russo (Mark Ivanir) e seu motorista, guarda-costas e “cão”, Sergei (Vdovichenkov); e, finalmente, a esposa de Sergei, Valentina (Dinara Drukarova), que trabalha em Paris ao lado do dentista francês e muçulmano (Jamel Debbouze) que, apaixonado pela assistente, não revela seus sentimentos por causa de sua religião.

360 sugere que todos esses personagens e suas histórias têm parte no final feliz alcançado por dois deles ao final do filme – isso, porém, não acontece. Com exceção dos diretamente envolvidos na situação, os outros não tem real impacto nos acontecimentos. Valentina cita a lição que John aprendeu de Laura quando fala sobre sua decisão de se divorciar do marido, mas o discurso do personagem de Hopkins não foi o causador dessa decisão; a jovem brasileira, por sua fez, teria voltado para o Brasil mesmo que seu namorado não tivesse terminado o caso com Rose.

Além disso, na maioria das vezes, não faz muita diferença para a história se conhecemos ou não aqueles personagens – apesar da excelente atuação de Ben Foster e dos momentos de tensão enfrentados por Tyler estarem entre os melhores do longa, o fato de ele ser um ex-presidiário não tem impacto algum nos acontecimentos; ele poderia muito bem ser um estudante que decidiu largar a faculdade, por exemplo.

Faz falta, também, alguém que faça a ligação entre todas as tramas e funcione como protagonista. 360 é mais “um conhece um que conhece outro” do que “tudo está conectado” e, apesar de manter-nos interessados no que está acontecendo com os personagens enquanto presenciamos suas histórias, os esquecemos assim que pulamos para outro núcleo. Não conhecemos aquelas pessoas o suficiente para que nos alegremos ou frustremos ao lado deles. A única subtrama que permanece – e que sustentaria facilmente um longa-metragem – é a que envolve John, Laura e Tyler.

Dependente demais de coincidências forçadas, 360 desperdiça um ótimo elenco de atores de diversas nacionalidades (decisão, aliás, que também não faz muita diferença à trama) em personagens que não soariam tão vazios se pudéssemos conhecê-los melhor, ou seja, se não estivessem presos a um filme com núcleos em excesso que tem o “dever” de se conectar uns aos outros.

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