Looper: Assassinos do Futuro

stars4Looper (2012). Escrito e dirigido por Rian Johnson. Com Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis, Emily Blunt, Paul Dano e Pierce Gagnon.

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É difícil escrever sobre viagens no tempo (como bem sabe o Reitor Pelton), mas o conceito nunca deixa de fascinar quando é bem utilizado. Felizmente – em um gênero cada vez mais dominado por refilmagens e continuações desnecessárias, filmes que mais beiram a ação desenfreada do que a ficção científica e boas ideias desperdiçadas – Looper se encaixa no segundo caso.

Ambientado em um 2044 que, apesar de alguns avanços tecnológicos, é bem parecido com o mundo que conhecemos, o filme tem toques de noir e de cyberpunk com seus tons desbotados, sua sociedade decadente, seus personagens perdidos e solitários e as máfias futuristas. Em 2074, com a viagem no tempo já inventada – e declarada ilegal -, organizações criminosas utilizam a técnica para se livrar de corpos, algo muito difícil em sua época com a tecnologia avançada a que a polícia tem acesso. Isso não é problema no passado, já que, tecnicamente, o morto sequer existe. O serviço fica a cargo de assassinos chamados de loopers. Contudo, realizar viagens no tempo é tão ilegal que, quando um looper é desligado da organização, sua última tarefa é matar a versão mais velha de si mesmo – que chega encapuzada, como qualquer outra vítima, e o assassino só percebe o que aconteceu ao ver as barras de ouro que significam sua aposentadoria.

Looper levanta o dilema do perigo de modificar o passado e da dificuldade de permanecer passivo diante de ações que afetarão seu futuro. Se conhecêssemos nosso futuro, inevitavelmente tentaríamos modificá-lo ou assegurar que algo aconteça; o grande problema é que não podemos ter certeza de quais acontecimentos, decisões e acasos desencadearam o que queremos evitar ou assegurar.

O direitor e roteirista Rian Johnson (dos ótimos A Ponta de um CrimeVigaristas, e diretor de dois excelentes episódios de Breaking Bad) ilustra bem a questão ao mostrar o Joe mais velho (Willis) ganhando novas lembranças conforme o Joe do presente (Gordon-Levitt) as vivencia, ou este mandando mensagens para aquele através de cicatrizes, e na sequência em que o corpo do loop de Seth se modifica de acordo com o que acontece com sua versão atual, vivida por Paul Dano. Além, é claro, do fato de que o Joe de 2044 tem que matar a versão mais velha de si mesmo, antes que este cometa atos que podem alterar significativamente o futuro.

Com o auxílio de maquiagem prostética, Joseph Gordon-Levitt copia com excelência os trejeitos característicos de Bruce Willis (a “semelhança” entre os dois é particularmente bem explorada na cena em que ambos conversam em um restaurante). Joe é um complexo anti-herói, e é interessante perceber como uma diferença de trinta anos é capaz de criar um conflito de pensamentos e atitudes no personagem.

Merecem destaque também o pequeno Pierce Gagnon e Emily Blunt. Longe de estar ali só para agradar aos olhares masculinos ou acrescentar uma pitada de romance (o que, sim, acontece, mas de forma orgânica e eficiente), Sara é uma mulher independente, corajosa e disposta a tudo para proteger seu filho, Cid (Gagnon), de 10 anos.

Confiando na inteligência do espectador, Looper se mantém compreensível e intrigante sem explicações excessivas sobre o funcionamento de seu universo – e mesmo a narração descartável não diminui a eficiência de seu final.

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