A Morte do Demônio

stars3Evil Dead (2013). Escrito por Fede Alvarez e Rodo Sayagues. Escrito por Fede Alvarez. Com Jane Levy, Shiloh Fernandez, Lou Taylor Pucci e Jessica Lucas.

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Filmes repletos de litros de sangue jorrando e membros mutilados atraem, principalmente, fãs de gore; os mais sensíveis viram os olhos e se enojam com as cenas mais pesadas. Não é, portanto, material para uma experiência realmente aterrorizante, como tanto proclamou a campanha de marketing desta refilmagem – que, na verdade, está mais para continuação – do clássico do cinema trash Evil Dead, de 1981.

Evil Dead ajudou a criar o hoje já esgotado subgênero do terror em que pessoas presenciam situações assustadoras em uma cabana isolada (recentemente explorado com eficiência pelo divertido O Segredo da Cabana), e este, apesar de conseguir se distanciar o suficiente do original e ter seus próprios méritos, não faz muito para reinventar o estilo.

A protagonista, aqui, é Mia (Levy, da divertida Suburgatory), jovem que, depois de uma overdose, mais uma vez tenta largar as drogas em uma temporada isolada com os amigos e o irmão, David (Fernandez) em uma cabana na floresta. Ela e o irmão tentam também fortalecer sua relação, danificada depois que ele se mudou para outro estado e deixou Mia cuidando sozinha da mãe doente.

 A Morte do Demônio não tem o senso de humor acidental do original – graças a ótimos efeitos especiais (segundo a equipe, sem uso de computador) e atuações, no mínimo, decentes -,  mas o gore é tanto que não causa impacto ou tensão, servindo principalmente como diversão para os fãs do gênero.

O roteiro, assinado pelo diretor ao lado de Rodo Sayagues (com retoques não-creditados de Diablo Cody) parece promissor de início, mas logo se mostra raso: se a crise de abstinência de Mia se mistura a seus sintomas de possessão e formam um argumento decente para que seus amigos não queiram voltar para a cidade, o relacionamento entre Mia e David perde força principalmente pela falta de caracterização deste, que só acontece no final do segundo ato.

Mia, por outro lado, é uma boa adição à galeria de heroínas do horror. A carismática Jane Levy oferece uma atuação eficiente e retrata bem o medo da personagem que, somado à falta de drogas, quase a enlouquecem. É uma pena, portanto, que ela desapareça por boa parte do longa e que David “roube” dela o papel de protagonista durante o segundo ato. [Spoilers a seguir] Papel este que ela enfim recupera no terceiro ato, em um memorável banho de sangue (literalmente) que usa o gore realmente a favor da história e garante que o filme seja lembrado pelos espectadores após a sessão [fim dos spoilers].

A Morte do Demônio é, então, um filme com personalidade própria, que pega emprestado a premissa básica e o espírito do original para criar algo novo – a marca de um bom remake. É prejudicado, porém, por um roteiro raso e pela falta de frescor do subgênero do terror que Evil Dead popularizou nos anos 80.

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